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Visto de Nómada Digital de Portugal (D8)

A via D8 para cidadãos não-UE que trabalham remotamente e recebem de fora de Portugal — a versão de estada temporária e a versão de residência que leva a uma autorização de residência de 2 anos.

Última verificação: julho de 2026

Este guia cobre a via de Nómada Digital (o «D8») para nacionais de países terceiros cujo rendimento vem de trabalho remoto para empregadores ou clientes fora de Portugal. Cobre as duas formas do D8: a versão de estada temporária e a versão de residência que leva a uma autorização de residência.

Não cobre trabalhadores contratados por empregador português (a via de Residência para Trabalho (D1)), quem chega para procurar trabalho (o Visto de Procura de Trabalho), reformados ou quem vive de rendimento passivo como pensões, rendas ou dividendos (a via de Rendimentos Passivos / D7 — guia para breve), quem cria ou gere ativamente um negócio em Portugal (a via D2/empreendedor — para breve), estudantes, nem reagrupamento familiar. Os cidadãos UE/EEE/Suíça não usam esta via. Sem certezas? Comece por Qual a via de imigração certa para si?.

Numa vista de olhos

  • Duas versões: *D8 de estada temporária* — até 1 ano, não leva a autorização de residência. *D8 de residência* — um visto de entrada de 4 meses, depois uma autorização de residência de 2 anos na AIMA; só esta versão conta para residência permanente e nacionalidade.
  • Para quem é: trabalhadores remotos, freelancers e independentes com rendimento de fora de Portugal
  • Rendimento mínimo: €3.680/mês bruto (requerente único) = 4× o salário mínimo de 2026 de €920
  • Poupança demonstrada: frequentemente €11.040 (12× salário mínimo), mais por familiar — depende do consulado
  • Taxa do visto: €90 de visto nacional (gov.pt atual), mais taxas VFS/serviço e AIMA
  • Prazo de decisão: prazo oficial do visto de 60 dias; na prática, os consulados demoram muitas vezes mais
  • Validade da autorização (D8 de residência): primeira autorização normalmente 2 anos, renovável por períodos sucessivos de 3 anos
  • Advogado obrigatório? Não — útil em recusas ou rendimento independente complexo, mas não exigido por lei
  • Família? Sim, na via de residência, com limiares de rendimento/poupança mais altos por dependente
  • Leva a residência permanente / nacionalidade? Só a via de residência. Residência permanente após 5 anos; os prazos de nacionalidade mudaram em 2026 — ver Tornar-se cidadão português
  • Entidades principais: o consulado português / VFS Global antes da viagem; a AIMA após a chegada

Esta via é para si?

Use esta via se todas estas forem verdadeiras: não é cidadão UE/EEE/Suíça; o seu rendimento vem de trabalho feito remotamente para empregador ou clientes fora de Portugal; pretende viver em Portugal continuando esse trabalho; e consegue demonstrar o rendimento mensal exigido, e poupança, de fora de Portugal.

Use outro guia se tem empregador ou proposta portuguesa (a via de Residência para Trabalho (D1)), se se muda para procurar trabalho (o Visto de Procura de Trabalho), se o rendimento é passivo — pensão, rendas, dividendos — em vez de trabalho ativo (a via de Rendimentos Passivos / D7 — para breve; esta é a confusão mais comum), se vai criar ou gerir ativamente um negócio (a via de empreendedor/D2 — para breve), ou se é cidadão UE/EEE/Suíça.

Resumo em um minuto

Prova que trabalha remotamente por dinheiro que vem de fora de Portugal, que é suficiente (um múltiplo do salário mínimo português) e que tem onde viver. Candidata-se num consulado português ou centro VFS no país onde reside legalmente e escolhe uma de duas versões: um visto de estada temporária até um ano sem autorização de residência, ou um visto de residência — um visto de entrada curto que converte numa autorização de residência de 2 anos numa marcação da AIMA após a chegada. Só a versão de residência conta para a residência permanente e a nacionalidade.

Primeiras decisões: o D8 é a sua via, e qual versão?

*Requisito Oficial — D8 ou D7?* Acerte nisto antes de tudo. O D8 é para rendimento ativo — está a trabalhar, apenas remotamente, para pessoas fora de Portugal. O D7 é para rendimento passivo — pensões, rendas, dividendos, royalties — em que não está ativamente a trabalhar para o obter. Têm limiares diferentes: o D8 pede quatro vezes o salário mínimo; o D7 pede cerca de uma vez o salário mínimo. Há quem se candidate na via errada e seja recusado. Se o dinheiro chega porque fez trabalho este mês, é quase de certeza D8.

D8 de estada temporária ou D8 de residência?

  • Estada temporária — melhor para um «ano de teste» com menos compromissos. Recebe um visto para ficar até ~1 ano; sem conversão na AIMA; não conta para residência permanente/nacionalidade; alojamento de pelo menos ~4 meses.
  • Residência — melhor para se fixar a longo prazo. Recebe um visto de entrada de 4 meses, depois uma autorização de 2 anos; tem de comparecer na AIMA antes de o visto de entrada caducar; conta para residência permanente/nacionalidade; alojamento de pelo menos ~12 meses.

*Conselho Prático.* Se houver alguma hipótese de querer ficar mais de um ano, escolha a versão de residência desde o início. O visto de estada temporária não converte, não pode ser prorrogado e nenhum desse ano conta para a residência permanente — mudar depois significa uma candidatura nova.

O processo completo (via de residência)

  • Confirme que é D8, não D7, e escolha a versão de residência se planeia ficar.
  • Verifique que o rendimento e a poupança cumprem os limiares atuais e que o rendimento vem de fora de Portugal.
  • Reúna o processo: prova de trabalho remoto, prova de rendimento, poupança, registo criminal, alojamento, seguro (ver Documentos).
  • Candidate-se no consulado português ou centro VFS responsável por onde reside legalmente. Pague a taxa.
  • Quando o visto for emitido, verifique a vinheta e encontre a marcação na AIMA (normalmente criada com o visto).
  • Viaje dentro da validade do visto. Abra conta bancária portuguesa e transfira a poupança se o consulado o esperar.
  • Compareça presencialmente na AIMA: identidade e documentos verificados, biometria recolhida, taxas pagas.
  • Se aprovado, o cartão de residência é produzido e enviado por correio para a sua morada em Portugal.

*Prática Observada.* Os 60 dias são o prazo oficial de serviço da decisão do visto, não uma promessa. Na prática, o processamento consular e a espera pelo cartão da AIMA levam muitas vezes o percurso a vários meses — trate qualquer «tempo total» como prática observada, não como garantia.

Documentos — e para que serve cada um

A lista exata é definida pela checklist do seu consulado e pode diferir por país. Documentos em falta ou fracos — sobretudo a prova de trabalho remoto e de rendimento — são o motivo mais comum de recusa do D8.

Prova de que o seu trabalho é genuinamente remoto e estrangeiro

*Requisito Oficial.* Para trabalhadores por conta de outrem: contrato de trabalho e carta do empregador a indicar explicitamente que a função é remota, que o empregador concorda que trabalhe a partir de Portugal e que a remuneração se mantém no limiar ou acima. Para freelancers/independentes: contratos de cliente ou acordos de serviço ativos, faturas recentes com receita consistente e registo de atividade no país de origem. O fio comum é que o rendimento tem origem fora de Portugal. *Erro comum:* cartas de uma linha vagas ou faturas sem contrato por trás — os consulados querem uma relação real, contínua e de fonte estrangeira, não uma captura de ecrã de uma transferência.

Prova de rendimento

*Requisito Oficial.* Normalmente três a seis meses de extratos bancários e, para trabalhadores por conta de outrem, recibos de vencimento, mostrando rendimento médio mensal no limiar ou acima de €3.680 brutos para um requerente único em 2026 (quatro vezes o salário mínimo). Os familiares aumentam o valor.

Poupança

*Requisito Oficial.* Muitos consulados querem também um saldo bancário de cerca de €11.040 (doze vezes o salário mínimo) para um requerente único, com aumentos por dependente. Na via de residência pode ser-lhe pedido que transfira essa poupança para uma conta portuguesa antes da fase da AIMA.

Limiares por família (via de residência)

Valores mensais de rendimento aproximados para 2026 (percentagens do salário mínimo; confirme os montantes exatos na checklist do seu consulado):

  • Requerente único — €3.680.
  • + cônjuge / companheiro(a) — some 50% do salário mínimo (≈ €460) → ≈ €4.140.
  • + cada filho — some 30% do salário mínimo (≈ €276) por cada um.

Certificado de registo criminal

*Requisito Oficial.* Do país da nacionalidade, ou de país onde tenha vivido mais de um ano, normalmente emitido nos últimos 90 dias. Costuma precisar de apostila (ou legalização consular) e tradução certificada. Autoriza também as autoridades portuguesas a consultar o registo criminal português.

Alojamento

*Requisito Oficial.* Um contrato de arrendamento de pelo menos ~4 meses para o visto de estada temporária, ou de pelo menos ~12 meses para a via de residência. Na fase da AIMA, declara a morada e a base legal em que a ocupa, com prova de propriedade ou do senhorio.

Seguro de saúde

*Requisito Oficial.* Na fase do visto, seguro de viagem/médico que cubra a estada, cuidados urgentes e repatriamento (as apólices indicam frequentemente €30.000 de cobertura). Depois de ter autorização de residência, pode normalmente inscrever-se no serviço público de saúde (SNS).

NIF (número de contribuinte português)

*Conselho Prático.* Vai precisar de NIF para arrendar, abrir conta bancária e concluir os passos da AIMA. Não residentes podem geralmente obtê-lo através de um representante fiscal português antes de viajar.

O processo D8 é recusado mais vezes por documentação fraca do que por perfil fraco — uma carta de trabalho remoto vaga, prova de rendimento que não bate certo, ou um registo criminal sem apostila. A Portugeasy verifica os seus documentos D8 face aos requisitos atuais da sua via e consulado e assinala o que seria recusado antes de marcar.

Taxas

A taxa do visto nacional é indicada como €90 no gov.pt. Além disso, conte com uma taxa de VFS/prestador de serviço quando a VFS trata da submissão, custos de correio e tradução/legalização, e as taxas próprias da AIMA (receção/análise mais o cartão). As taxas da AIMA seguem uma tabela que muda, por isso verifique a tabela atual imediatamente antes da marcação, em vez de confiar num total antigo.

Quanto tempo demora?

  • Decisão do visto — prazo oficial de serviço de 60 dias; muitas vezes mais na prática *(oficial + observado)*.
  • Marcação na AIMA — normalmente criada com o visto; o timing depende da vaga gerada ou marcada *(processo oficial)*.
  • Cartão após a marcação — sem média nacional fiável; qualquer número é prática observada, não garantia.

Erros comuns

  • Candidatar-se ao D8 quando o rendimento é passivo (isso é D7), ou ao D7 quando trabalha ativamente de forma remota (isso é D8).
  • Escolher o visto de estada temporária e descobrir depois que o ano não conta para a residência e não pode ser prorrogado.
  • Prova de trabalho remoto fraca: uma carta sem contrato, ou faturas sem acordo de cliente por trás.
  • Prova de rendimento que, retirados pagamentos pontuais, fica em média abaixo do limiar.
  • Esquecer o requisito de poupança, ou não conseguir mostrar que os fundos são seus e estão disponíveis.
  • Um registo criminal sem apostila ou tradução certificada, ou já desatualizado.
  • Alojamento de curta duração ou informal quando se espera um arrendamento registado mais longo.
  • Presumir que o processo do consulado é transferido para a AIMA — leve originais e prova atualizada à marcação.
  • Tratar residência fiscal e estatuto de imigração como a mesma coisa (não são — ver as FAQ).

Continua legal — e pode viajar?

*Requisito Oficial.* Enquanto tiver um visto de residência válido pode entrar em Portugal e concluir o processo da autorização. Depois de ter a autorização, pode viajar no Espaço Schengen até 90 dias em cada 180. Mas uma marcação pendente na AIMA, ou um comprovativo de que se candidatou, não é um documento de viagem — não garante a reentrada em Portugal nem a circulação no Espaço Schengen. Não marque viagens não essenciais a meio do processo e conte as datas exatas impressas no visto, em vez de assumir «quatro meses».

⚠️ Cuidado com burlas. As marcações da AIMA são gratuitas e são agendadas pelas autoridades portuguesas ou por si pelos canais oficiais — nunca pague a um intermediário por uma «vaga garantida». Desconfie igualmente de «patrocinadores» de trabalho remoto que oferecem um contrato falso para cumprir o D8 e de anúncios de arrendamento que pedem um depósito antes de poder ver o imóvel. Um documento falso pode transformar uma recusa numa proibição de reentrada e em responsabilidade criminal.

Se algo for invulgar

  • O seu rendimento desce abaixo do limiar durante o processo — o consulado avalia uma média dos últimos meses, por isso um único mês baixo pode não afundar o processo, mas uma quebra real prejudica-o. Esteja pronto a explicar e comprovar o padrão.
  • É freelancer com alguns clientes portugueses — a via assenta em rendimento de fonte estrangeira. Alguma orientação permite uma parte limitada de clientes portugueses, mas trate isto como dependente do consulado e mantenha a maioria claramente estrangeira.
  • O seu visto não tem link de marcação da AIMA a funcionar — use o formulário de contacto oficial da AIMA e o tema da autorização, identificando o visto consular. Não pague a terceiros para «arranjar» uma marcação.
  • O pedido é recusado — leia os fundamentos escritos e o prazo. Uma recusa por documento em falta difere de uma que questiona se o seu trabalho é genuinamente remoto e estrangeiro; impugnar dentro de um prazo curto é trabalho de advogado.

Perguntas frequentes

Posso trabalhar para uma empresa portuguesa com o D8?

Não. O D8 é para rendimento de fora de Portugal. Trabalhar para um empregador português é a via de Residência para Trabalho (D1).

Posso também prestar serviços a clientes portugueses?

A via assenta em rendimento de fonte estrangeira. Uma parte limitada de clientes portugueses pode ser tolerada, mas mantenha a maioria claramente estrangeira e verifique a posição do seu consulado.

Que rendimento preciso em 2026?

Para um requerente único, cerca de €3.680 brutos por mês — quatro vezes o salário mínimo de €920. Os familiares aumentam-no; acompanha o salário mínimo.

Preciso mesmo de €11.040 de poupança?

Muitos consulados pedem cerca de doze vezes o salário mínimo em poupança, mais por dependente, e podem querer que seja transferida para uma conta portuguesa antes da fase da AIMA. Confirme na checklist do seu consulado.

Qual a diferença entre os dois vistos D8?

O visto de estada temporária permite viver em Portugal até um ano mas não se torna autorização de residência e não pode ser prorrogado. O visto de residência é um visto de entrada curto que converte numa autorização de 2 anos na AIMA; só ele conta para a residência permanente e a nacionalidade.

O D8 é o mesmo que o D7?

Não. O D8 é para trabalho remoto ativo; o D7 é para rendimento passivo como pensões, rendas ou dividendos. Limiares diferentes, prova diferente.

A minha família pode vir?

Sim, na via de residência, com limiares de rendimento e poupança mais altos por dependente. Planeie os documentos dos dependentes ao mesmo tempo.

Preciso de falar português?

Não para pedir ou receber o D8. O português básico (cerca de A2) torna-se relevante mais tarde, para a residência permanente ou a nacionalidade — ver Tornar-se cidadão português.

Vou pagar impostos em Portugal?

A residência fiscal depende das suas circunstâncias (em geral, passar mais de 183 dias por ano) e é separada do estatuto de imigração. O antigo regime RNH está largamente fechado a novos requerentes; procure aconselhamento fiscal cedo se planeia ficar.

Quanto tempo demora todo o processo?

Frequentemente vários meses de ponta a ponta — a decisão do consulado mais a espera pela marcação e pelo cartão da AIMA. Trate qualquer número indicado como prática observada.

Onde me candidato?

No consulado português ou centro VFS Global responsável pelo país onde reside legalmente — não onde for mais conveniente.

Quanto tempo é válida a primeira autorização?

Normalmente dois anos, renovável por períodos sucessivos de três anos, na via de residência.

Posso viajar na Europa enquanto espero o cartão?

Uma marcação pendente ou comprovativo não é documento de viagem e não garante a reentrada nem a circulação no Espaço Schengen. Depois de ter a autorização, pode viajar até 90 dias em cada 180.

Posso passar do visto de estada temporária para residência mais tarde?

Não por conversão — teria de iniciar uma candidatura nova para a via de residência, razão pela qual a maioria de quem se muda a longo prazo escolhe residência desde o início.

Posso comprar casa em vez de arrendar?

Sim; a lei não fixa dimensão ou preço mínimos. Se comprar, orce os impostos e encargos adicionais além dos custos do visto.

O tempo no D8 leva à nacionalidade?

Só na via de residência, e só após os anos de residência legal exigidos. Portugal alterou os prazos de nacionalidade em 2026 — ver Tornar-se cidadão português para a regra atual antes de contar com uma data.

Guias relacionados

Qual a via de imigração certa para si? · Visto de Residência vs Autorização de Residência · Residência para Trabalho (D1) · Visto de Procura de Trabalho · Os documentos de que vai precisar

Fontes

Registo de alterações

  • 10 jul. 2026 — Publicado como capítulo (v1.0, reconstruído). Reconstrução completa segundo a Norma da Base de Conhecimento v2.0: caixa de âmbito, numa vista de olhos, blocos de decisão D7-vs-D8 e temporária-vs-residência, limiares reais de rendimento/poupança/família, explicação dos documentos, prazos, verificação de viagem/legalidade, aviso de burlas, exceções, FAQ, notas de verificação e fontes. Informação geral, não é aconselhamento jurídico.